sábado, 6 de setembro de 2014

POV Cap. 30

Sarah’s POV
Quem um dia poderia imaginar uma cena dessas? Eu, Alysson e Lilyan conversando com James, Anthony, Zac e agora Scott. Acho que ninguém. Pertencíamos à mundo completamente diferentes. Mas agora estamos aqui, todos juntos, no portão da escola, conversando como se fôssemos amigos de longa data. Eu e James. Isso soa tão estranho, mas tão bem ao mesmo tempo. Confesso que já tive um fraco por ele, mas como ele fazia parte do grupos dos “rejeitados”, estava fora de cogitação alguma coisa entre nós. E depois que Peter entrou no grupo então, todas as possibilidades foram destruídas.
           Eles eram aquele tipo que não é inteligente o bastante para ser nerd, nem esportista o bastante para fazer parte da equipe de basquete, nem “descolados” o suficiente para andarem com os populares. Eles eram um pouco de cada, mas não o suficiente para pertencer a algum grupo. Por isso, acabaram criando seu próprio grupo: os “rejeitados”, como eram conhecidos, ou “desajustados”. Peter entrou para o grupo depois do que fez com a Alysson.
Ele não foi expulso da escola por muito pouco, mas o diretor continuou pegando no pé dele, e ninguém queria andar com alguém que está na lista negra do diretor. Então, Peter foi para o único lugar onde seria realmente aceito: se tornou um rejeitado. Eles se recusaram a aceitar Peter, assim como os outros grupos, mas acabaram cedendo às insistências de Peter, então ele ficou lá.
Bom, muita coisa mudou de uns meses para cá. Peter foi afastado dos outros, ninguém mais vê Ross, Scott entrou para o grupo e, bem… Tudo mudou depois que ele entrou. Digo sem medo de errar que o culpado disso tudo é ele, o Scott. Aquela maldita aposta serviu para alguma coisa afinal. Convenhamos, se não fosse por ela, eu não estaria com o James, Lilyan com certeza não estaria com Zac, Peter não estaria isolado e rejeito, Paris não teria levado um fora muito bem dado do Scott e, claro, Alysson não estaria feliz e com um cara que preste, porque aquele Kyle…
Falando em Alysson e Scott, eles estavam brigados. Alysson não me falou nada sobre ele depois da festa e eu sei que eles conversaram. Fui eu quem disse ao Scott onde ela estava. Sem falar que eu a vi usando o anel, aquele que eu ajudei o Scott a comprar. Aí tem coisa. Tirei essa conclusão principalmente pela troca de olhares deles na entrada do colégio. Muito suspeito.
Como eu sou eu, não pude deixar isso passar desapercebido. Abordei o Scott no final das aulas e fiz meu questionário, ele, lógico, se fez de desentendido. Mas eu logo o interrompi e disso tudo o que sabia. Ele falou tudo, como eu imaginei. Alysson seria mais resistente, com certeza. Minhas suspeitas foram confirmadas, mas a notícia foi muito melhor do que eu esperava. ELES ESTÃO NAMORANDO! Eu juro que nunca imaginei Scott Miller namorando sério com alguém. Eu sei que não o conheço, mas pelo que eu já ouvi e vi... Tudo bem que ele já me disse várias vezes que a ama de verdade, mas mesmo assim. Eu não imaginava que era tanto. Não me ache insensível ou algo assim. Se tratando do Scott, é bem normal a minha surpresa.
Voltando para James agora. Nós temos saído bastante juntos, só nós dois. No início, eu pensava que era algo entre amigos. Nada demais. Mas então ele proferiu aquelas palavras;
- Eu gosto de você, Sarah. Gosto muito mais do que como só amigo. E eu vou esperar por você o tempo que for preciso.
Nem preciso falar que meu coração parou naquele momento. Eu me senti mal ao mesmo tempo. Não sabia se sentia a mesma coisa por ele e não o queria jogar para o que chamar de “friendzone”. Eu sei como é horrível. Mas agora eu já não tenho certeza se não sinto nada por ele. Realmente, ele é totalmente o contrário de Ethan. Talvez o melhor para mim.
Hoje vamos sair novamente. Não esperei muito até ouvir a campainha tocar.
- Ele chegou! - disse para mim mesma.
Me olhei uma última vez no espelho e desci as escadas correndo. Parei um momento para estabilizar a respiração e abri a porta com um a sorriso.
James sorriu ao me ver.
- Você está linda! - exclamou. Senti meu rosto queimar.
Tudo bem, talvez o Scott esteja certo. Eu coro por qualquer coisa.
- Obrigada.
- Vamos? - Assenti.
Ele hesitou, mas me estendeu a mão. Eu fiquei um bom tempo ali parada, olhando para sua mão suspensa no ar. Quando ele ia recolher a mão, eu rapidamente a rodeei com meus dedos pequenos. Eu devo ter parecido o ser humano mais estúpido do mundo nesse momento. James sorriu para mim e me guiou até seu carro.
Nosso caminho foi silencioso. O clima estava tenso, pelo menos no meu ponto de vista. A conversa não estava fluindo como normalmente fluia. Geralmente conversamos horas a fio, sem nunca perder o assunto. James sempre tem alguma coisa sobre a qual comentar, por mais estúpido que fosse o assunto. Mas não agora.
Chegamos rapidamente ao nosso destino. Um restaurante.
- O meu pai é dono do restaurante, então o almoço hoje é por conta dele - James disse quando já estávamos fora do carro.
- É lindo! - exclamei entrando no estabelecimento.
Sentamos em uma das melhores mesas. Logo um dos garçons veio nos atender. Fizemos nosso pedido, que não demorou a chegar.
Nosso almoço não foi tão silencioso, o que eu acho ótimo. Não sei lidar com silêncio.
Depois do almoço, James me convidou para um passeio numa praça que tem aqui perto. Eu aceitei, claro. Como é bem perto, fomos a pé mesmo.
Lá, o silêncio voltou a reinar. Mas não silêncio como o do caminho até aqui. Um silêncio bom, confortável.
E nesses poucos minutos, ou horas, eu descobri uma coisa que talvez mude tudo: os meus sentimentos por James são maiores do que eu imaginava. É tão bom estar com ele. Ele me faz sentir tão bem. É muito diferente de quando eu estava com Ethan.
- James - chamei meio que inconscientemente.
- Sim?
- E-Eu… - gaguejei. Eu quero contar. Mas talvez seja cedo demais para isso.
- Você…? - me icentivou. Respirei fundo e fechei os olhos.
- Eu acho que… - Pigarreei. - Que você pode parar de esperar por mim.
Uma expressão triste tomou conta do seu rosto. Ah, não. Ele entendeu tudo errado.
- James - chamei novamente. Ele me olhou cabisbaixo. Não aguentei suportar aquele olhar e fiquei encarando meus pés. - Eu também gosto de você - falei baixinho.
Seu rosto iluminou-se. Seus lábios curvaram-se num lindo sorriso, aquele que eu tanto amo ver. Ficamos nos encarando, ambos com sorrisos rasgados nos lábios, com a expressão mais boba possível.
Eu deveria beijá-lo? Eu posso beijá-lo? Ele quer que eu o beije?
- Será que eu posso…? - a voz de James interrompeu meus pensamentos. - É que eu não sei se… Se você quer… Não sei se deveria. - Ri com o modo atrapalhado dele e assenti.
O mundo pareceu parar. Meus olhos estão fixos no belo rapaz a minha frente. Ele aproxima-se lentamente, até eu poder sentir sua respiração contra minha pele. Minhas mãos foram parar nos seus ombros, inconscientemente. Finalmente, senti seus braços a minha volta.
Cronos, passa o tempo um pouquinho mais rápido, por favor!
Seus lábios estão perto os meus, mas ao mesmo tempo, estão tão distantes.
James tem os olhos vidrados nos meus lábios. Este abriu um sorriso e olhou nos meus olhos, antes de selar de vez nossos lábios. Meu primeiro beijo com James.


Devo dizer que isso não é nada parecido com o que os livros dizem. É muito mais intenso. Eu não sinto as tais borboletas na barriga. Sinto como o munto inteiro se contorcesse dentro dela. Não sinto minha pele formigar nem queimar. Sinto como se tudo a minha volta, inclusive eu mesma, estivesse em chamas e explodindo constantemente. Não ouço os fogos de artifício. Ouço apenas as tais explosões. Não sinto como se meus sentimentos estivessem todos confusos. Nunca tive tanta certeza do que estou pensando e sentindo. E o que estou sentindo é que, com James, finalmente achei aquilo que procurei durante toda a minha vida: alguém por quem valha a pena sentir o tal sentimento amor.

2 comentários:

  1. OMG! Isso só ajuda a minha teoria!! <3
    Um dia, quando eu tiver certeza absoluta, postarei ela aqui. Abraços e continue escrevendo. :)

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