Paris’s POV
Me juntar a Peter foi a melhor coisa que eu poderia ter feito. Estou conseguindo tudo o que eu queria. Ou quase conseguindo. Scott e Alysson sempre arrumam um jeito de voltar, e isso me irrita profundamente. Ou Scott tem algum tipo de encantamento, ou a Alysson é muito idiota. Eu achava que tínhamos usado todas as nossas ideias para os separar, mas, pelo que Peter disse, ainda temos algumas cartas na manga. Peter continua tão eficiente quanto antes. Eu nuca fui tão boa quanto ele, e acho que nunca vou ser realmente, mas tudo o que sei hoje, aprendi com ele.
Conheci Peter há alguns anos, na escola. Antes mesmo de conhecer a Alysson. Acabei me envolvendo com ele. Foi aí que eu conheci Nicolle Wilson, a garota que ficou com Peter na festa de Alysson, e Sarah. Quem olha para aquela cara de anjinho que ela tem, nunca pensaria ou acreditaria numa coisa dessas, mas sim, Sarah Foster fazia parte do bando de Peter. Sempre soube o quão perigoso Peter era, mas que garota não gosta de um perigo? Eu sou daquelas que ama um desafio e correr riscos. Peter era um desafio e um risco dos grandes. O que tínhamos não era nada realmente sério, mas também não era casual. Não sei como chamar aquilo. Eu era a sua garota e, até onde eu sei, a única. Mas eu não me importaria se ele tivesse outras. Como eu disse, não era nada sério. E além de sua garota, eu era sua aprendiz. Peter vivia se metendo em encrenca, mas nunca era pego. Aquilo me fascinava. Ele me ensinou tudo o que sabia, mas para conseguir ser igual a ele, precisava de prática. Eu até fazia algumas coisas, mas outras eram mais… sérias.
Aos poucos ganhei a confiança de Peter. Passei de aprendiz a seu braço direito. O ajudava a planejar vários golpes, armações e coisas assim. Até que um dia eu era confiável o bastante pra saber da história da grande armação: Alysson Cooper. Ele me contou tudo, desde o início, aproveitou para desabafar. Ele realmente sofreu. Entendo perfeitamente o sentimento de vingança que ele tem. Concordei na hora em fazer aquilo tudo. A partir daquele momento, eu passei a odiar Alysson Cooper. E hoje em dia, ela me deu mais um motivo para odiá-la: fez com que Scott me dispensasse para ficar com ela. Ninguém dispensa Paris Anderson.
No dia da armação contra Alysson, na festa dela, Sarah veio até nós tentando nos fazer desistir de tudo, dizendo que tinha descoberto uma coisa muito séria, mas não disse o que era. É claro que não desistimos. Prosseguimos com o plano sem Sarah. Depois de tudo feito, Alysson envergonhada e a festa destruída, Sarah nos contou o que tinha descoberto: Alysson era a filha do diretor. Peter não ficou surpreso, eu também não. Nós já sabíamos disso, e foi exatamente por ela ser a filha dele que nós fizemos o que fizemos.
Depois desse dia, Sarah nos abandonou de vez e virou uma das melhores amigas da Alysson. Peter nunca mais tocou no assunto Sarah. Era como se ela nunca tivesse existido. Eu achei melhor assim, mas ainda queria me vingar dela, queria que ela pagasse por ter nos traído daquele jeito. Nunca falei disso com Peter. Não queria vê-lo zangado. Isso nunca era uma boa ideia.
Um dia, alguns meses depois da festa de Alysson, Peter me deu mais uma tarefa. Aquilo tudo era tão frequente que eu nem me importava mais. Mas o que ele havia me pedido para fazer era como a prova final da escola. Eu estava passando de ano. O que ele me pediu para fazer era pior do que tudo o que eu já havia feito. E olhe que eu já tinha feito coisas muito ruins. Era violento demais. Eu nunca conseguiria fazer aquilo. Então ele me dispensou. Diferente de Sarah, ele gritou comigo, me humilhou, me xingou, foi bruto, um nojento. Nunca o tinha visto daquele jeito, pelo menos não comigo. Ele fez com que eu me sentisse um lixo. Foi nesse dia que eu prometi a mim mesma que nunca mais seria dispensada por nenhum cara. Ninguém faria com que eu me sentisse daquele jeito de novo.
Mas agora eu estava aqui, o ajudando num plano novamente contra Alysson. Acho que essa garota é o seu fascínio. Mas eu entendo. Aquilo que fizemos foi muito pouco comparado ao que ele sofreu. Mas eu tenho um outro motivo para o estar ajudando. Meu motivo é o Scott.
Vamos colocar em prática mais um plano. Mas esse é fraco, na minha opinião. Temos outros muito mais eficientes, que com certeza resultariam, mas Peter disse que não devemos dar nossa melhor cartada no início. Temos que guardar o melhor para o final. “Vingança para mim, é como a morte para um assassino: se não tiver tortura antes, não tem graça”, são palavras dele. Se fosse a um tempo atrás, ao ouvir essas palavras, eu me distanciaria dele imediatamente. Mas agora não. Como Peter me disse uma vez “todo mundo tem seu lado psicopata, só precisam de alguém ou algo para despertar esse lado”. Scott despertou parte do meu lado psicopata.
O plano era o seguinte: Ruby agarra o Scott; uma colega de trabalho dela fotografa tudo; as fotos são enviadas para Alysson; Alysson surta e termina com o Scott. O resto seria cada um por si. Ruby topou na hora. Disse que estava com saudades dos lábios do Scott. Eu tive que me segurar pra não voar no pescoço dela. A colega de trabalho dela, que até agora eu não sei o nome, ficou contrariada. Não queria participar. Mas como eu sempre digo, sempre tem alguém para chantagear. Mais uma coisa que eu aprendi com Peter: sempre saber os podres das pessoas. Todo mundo, por mais santo que pareça, tem um passado obscuro, alguma coisa para esconder. É o caso da Sarah.
Deu tudo errado. Ruby é fraca demais. Bastou Scott dizer algumas palavras para que ela se desmanchasse em lágrimas. Sei disso porque assisti tudo da sala de vídeo, através das câmera de segurança. Ruby não deveria ter saído correndo, não deveria ter dito nada. Era só dar a droga de um beijo nele. Tinha que ser loira mesmo.
Mas no fim nada foi totalmente perdido. A colega de trabalho de Ruby conseguiu tirar fotos em ângulos que parecia que eles estavam se beijando. Um material que dá pra aproveitar.
E mesmo assim não deu certo.
Eu não estava exagerando quando disse que eles sempre arrumam um jeito de voltar. Mas isso não vai ficar assim. Tenho muitas cartas na manga, e sou capaz de fazer qualquer coisa para separar esses dois. Qualquer coisa.
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