sábado, 20 de setembro de 2014

POV Cap 35

Alysson’s POV
Feliz. É assim que eu me sinto. Mas, ao mesmo tempo, estou indignada. Como assim proibida de sair de casa? Por que proibida de ver meus amigos e meu namorado? Isso é tão injusto! E também impressionante. Por que impressionante? Pelo simples fato de que, eu e Scott não podemos ficar bem, aliás, nada pode ficar bem, que alguma coisa acontece para estragar tudo.  E essa coisa, no momento, é o meu pai.
Não vou bancar a adolescente rebelde e dramática e dizer que minha vida não pode piorar, que ela está destruída, que minha alegria acabou. Não é realmente assim. Eu ainda estou feliz. Estou namorando com Scott. Finalmente alguém que não está comigo apenas para me fazer sofrer.
Por causa de todas essas coisas, meu sono foi prejudicado. Não consegui dormir. Meu pai me colocou de castigo. Eu, uma garota de 18 anos, de castigo porque estava assistindo um filme com o namorado na sala de casa. Pois é, eu ainda estava na sala, não no quarto onde as pessoas geralmente ficam. Um absurdo!
Enfim, voltando. Não consigo dormir. Rolei na cama por não sei quanto tempo, tentei ler, mas não estava resultando. Estou me sentindo entediada. Podia amanhecer logo.
Bufei e me levantei da cama. Vou assistir um filme na sala. Não interessa que é de madrugada.
Sai do quarto sem fazer barulho (meu pai tem um sono extremamente leve) e desci as escadas do mesmo modo. Parei no meio da escada ao ouvir um barulho. Passos. Mas não qualquer passo. Passos de alguém usando salto alto. Se isso é estranho? Muito, demais, pra caramba! Até onde eu sei, as únicas pessoas dessa casa que usam salto sou eu e minha mãe. Minha mãe está dormindo, com certeza, e eu, bem, eu estou aqui. Desci as escadas mais rapidamente, tentando fazer o mínimo de barulho possível. Cheguei na sala a tempo de ver a mulher sair pela porta da frente e fechá-la. Corri para a janela e lá estava ela, entrando no carro da minha mãe.
Uma mulher estranha pegando o carro da minha mãe. Uma mulher estranha e vulgar. Porque, vou te contar. A vida é curta, mas a saia daquela ali…
A tal mulher virou-se por um breve momento, balançando seus cabelos negros, iguais os da minha mãe. Ela encarou a casa por um tempo. Mesmo no escuro, pude ver seus olhos verdes brilharem
- Mãe! - disse em voz alta. Por um momento temi que ela, ou até meu pai, me ouvissem. Mas ninguém pareceu perceber minha fala.


Aquela é a minha mãe! A minha mãe! Minha progenitora está vestida como uma quenga. E saindo no meio da madrugada. Isso não está certo. Ok, tudo bem. Ela tem um corpo bonito, mas usar uma saia que mostre o útero das pessoas não é recomendável para a idade dela. Ah, dane-se o que é recomendável ou não. Minha mãe está vestida como uma… uma… Uma Paris e saindo de madrugada, escondida. Mas que droga!
Depois que ela saiu com o carro, fui até o quarto dos meus pais, só para ter certeza de que eu não estou pirando. Ela não trancou a porta, por isso consegui abri-la bem lentamente. Essas porcarias de portas resolvem ranger na hora que não podem fazer barulho. Mas que coisa! Sorte que meu pai não acordou. E, sim, ele está sozinho na cama. Se ele está sozinho, minha mãe realmente saiu daqui agora, vestida daquele jeito.
Apenas uma coisa passa pela minha cabeça agora, e é uma coisa que eu não queria pensar. Acho que ninguém no meu lugar gostaria de pensar numa coisa dessas. Traição. Minha mãe está traindo meu pai. Só que eu não posso provar isso. Eu poderia segui-la. Poderia, mas não segui. E não daria, de qualquer. Eu só poderia ir se fosse de carro e esse chamaria muita atenção.
Alguma coisa “apitou” em meu subconsciente. “Procure provas!”. Eu não posso deixar que meu pai seja enganado dessa forma. Não vou deixar que aquela mulher faça isso. Nesse momento, eu não poderia estar mais desperta. O sono que eu tinha antes, sumiu. Fui até o escritório particular daquela mulher e comecei a revirar as coisas. Não me preocupei de estar tirando tudo do lugar. Essa coisa toda já estava uma bagunça mesmo. Abri todas as gavetas e tirei tudo o que tinha dentro delas. Nada. Mas… Há! Fundo falso. Que coisa de novela. Nada original. Tirei o fundo da gaveta e só encontrei dinheiro. Além de tudo ela ainda esconde dinheiro do meu pai. Sacana!  Tem que ter alguma coisa por aqui. Ela não pode fazer isso sem deixar nenhuma pista. Ela tem que ter dado algum deslize.
Continuei a procura, até que achei um envelope. Um parecido com o que me enviaram com fotos do Scott com a Ruby. Lembrar dessa ocasião me dá arrepios. Tudo bem. Foco no envelope na minha mão. Abri-o com cuidado para não amassar, nem rasgar e tirei os papéis que tinham lá dentro com o mesmo cuidado. Não são fotos. São cartas.
Sem pensar duas vezes, li a primeira que me apareceu. Acho que uma leitura nunca me deixou com tanto nojo. Nojo da minha própria mãe, nojo de mim por ter saído de dentro daquele ser asqueroso! Coisas vulgares e imorais. Coisas que eu nem sabia que poderia ainda passar na mente de adultos.
Agora a questão: conto ou não para o meu pai? Porque essas cartas escritas são provas o suficiente.
O certo seria contar, eu sei. Mas não sei se aguentaria vê-lo sofrer por saber disso. Por outro lado, também não sei se suportaria guardar esse segredo e conviver com ele, sabendo que estou enganando meu próprio pai e acobertando as sujeiras de Marie.
É uma decisão difícil. Nesse momento eu gostaria de ter uma sabedoria extraordinário. Talvez assim, eu soubesse como resolver isso sem que ninguém saia prejudicado ou magoado nessa história.



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