Lilyan’s POV
Tudo bem. Talvez eu não seja tão imune assim ao amor, ou a paixão, sei lá. A verdade é que eu fiquei encantada por Zac. Ele é mais novo, eu sei. Mas esse jeito bobo dele, a feição inocente. Acho que foi isso que mais me atraiu nele. Só de olhá-lo já se vê que ele não é como a maioria dos adolescentes. Aquele tipo que tem os hormônios a flor da pele, que necessita de contato humano o tempo inteiro. Eu já conheci muita gente assim, mas aí elas viraram gente. Fala sério. Vai dizer que aquele bando de adolescentes, bêbados, dançando feito uma lombriga tendo um ataque, esfregando-se um nos outros não parecem um bando de animais no cio? Se você discorda de mim, tenho quase certeza de que você é um deles.
Veja bem, não estou dizendo que adolescentes que vão a festas, que dançam, que namoram, que saem e o caramba a quatro, são todos animais. Estou dizendo que a maioria deles se comporta como tal. E, de qualquer forma, não gosto de ir a festas. Não gosto de lugares com muitas pessoas. Detesto calor humano. Não confunda isso com frescura. Eu não sou daquelas garotas enjoadas cheias de “não-me-toque”. Muito pelo contrário. Mas se eu puder evitar ficar no mesmo recinto que centenas de adolescentes vulgares, suados, tarados e bêbados, bem, eu vou evitar. Esse ambiente chega a ser nojento.
Mas, Lilyan, eles estão se divertindo.
Me diz então, óh, mente brilhante, porque raios eles bebem se estão se divertindo? Por que precisam de álcool para intensificarem aquela experiência? Por que eles escolhem esquecer aquilo depois? Pois é…
Mas, Lilyan, nem todos bebem.
Para mim, continuam em estado degradante. É uma tristeza saber que o futuro desse mundo está na mão dessas… dessas… Dessas coisas. Chega a ser quase deprimente. Mas, sendo sincera, eu não me importo tanto assim com o futuro. O futuro está lá, eu estou aqui. Sei que, se eu fizer tudo certo aqui, lá eu vou ser bem sucedida. E, tecnicamente, eu estou vivendo o futuro constantemente, porque, bem, hoje é o futuro dos dias anteriores. Agora é o futuro de alguns segundos atrás. E se eu parar para pensar e analisar, tudo o que eu já fiz, interfere sim no agora.
Mas não vou encher a paciência de vocês com esse assunto filosófico. Sei como é chato para a maioria das pessoas. Mais uma questão que precisa ser resolvida no meio dos jovens. Que tipo de ser vivente não gosta de filosofia? Só pode ser por preguiça de pensar. Sim, porque filosofia é raciocínio. Se você for uma mosca-morta, não vai conseguir entender metade do que os grandes pensadores disseram e dizem. Isso é fato!
E aqui estou eu, de novo, falando em filosofia. Não me segurei. Desculpem.
Voltando para Zac. Alguns devem pensar: o que uma garota madura como a Lilyan está fazendo com um crianção como o Zac Harris? Bem, deve ser aquela história de “os opostos se atraem”. Sei lá. E eu também nem sou tão madura. Tenho muito o que melhorar. E claro que também gosto de umas palhaçadas de vez em quando. Tudo com Zac é mais divertido. Ele é tipo de cara que sempre tem uma piada nova pra contar, um drama diferente para fazer, uma loucura nova para compartilhar e, o melhor, sempre sabe como me fazer sorrir.
Há um tempo atrás, me fazer sorrir era uma missão quase impossível. Não vou fazer drama. Vou logo avisando. Só vou contar minha história de uma forma bem resumida.
Eu sou adotada.
Pois é, você pensa que sua vida é linda, bela e maravilhosa, até que sua mãe surge no seu aniversário de 17 anos e diz que ela não é sua mãe de sangue. Não foi legal.
Diferente do que alguns pensam, eu não mudei quase nada depois de receber essa notícia. Continuei a mesma. Sempre fui antissocial e “adultizada” desse jeito. Não mudei uma vírgula do meu jeito de viver e ver as coisas. Muitos dos meus familiares (que não são realmente meus familiares) acham que eu fiquei assim depois da notícia. Por favor, eles realmente acham que eu daria um chilique desse tamanho por uma notícia idiota dessas? Se fosse a morte de um dos meus pais, tudo bem. Mas não. Eu só descobri que eu não tenho o sangue daquelas pessoas maravilhosas que me criaram como se eu fosse sua filha.
Enfim, voltando para Zac. Esses dias atrás ele estava com umas brincadeiras idiotas. Estava dizendo que me pediria em namoro. Não sei se eu quero isso. Não sei se eu quero ter compromisso com alguém agora. O último que eu tive não terminou muito bem. E sim, eu só tive um namorado, que também foi o cara do meu primeiro beijo. É, meu queridos. Vocês acham que eu sairia por aí beijando qualquer boca? Ele era um cara legal, mas acabou virando um animal no cio. Sem chance de permanecermos juntos.
Acho que Zac estava só me sondando. Estava querendo saber qual seria minha reação, minha resposta se ele realmente perguntasse. Eu tentei manter uma reação que não demonstrasse um ”sim” nem um “não”, até porque eu também não sei como seria.
No aniversário da Sarah, Zac me apronta uma. Eu só faltei cavar um buraco no chão e enfiar minha cara. Ele me pediu em namoro no meio da festa, gritando para todo mundo ouvir. Não me julgue, eu até gostei. Achei fofo da parte dele, mas eu não gosto de ser o centro das atenções. Odeio ver muitos pares de olhos me encarando. Isso é de extremo incômodo. Então, eu saí correndo.
O quê? Não tinha como cavar um buraco. Parem de me criticar.
Zac, graças a Deus, veio atrás de mim. Eu expliquei tudo para ele, com uma vergonha sem tamanho. Eu sei que não deveria ter vergonha disso. Mas, sei lá.
- Entendo perfeitamente o que você está sentindo - Zac disse. - Não se preocupe com isso. Eu espero o tempo que você precisar para se acostumar. Mas, nem que seja escondido, deixa eu ser seu namorado - ele pediu, sorrindo meigamente. - Eu não preciso que ninguém saiba. A única coisa que importa é eu saber que você é minha, assim como eu sei que eu sou somente seu.
Não pude deixar de sorrir. Como ele consegue fazer isso? Como pode arrancar um sorriso de mim tão facilmente?
Selei nossos lábios levemente.
- Eu sou só sua, Zac - afirmei, aceitando o seu pedido.
Ditas essas palavras, ele me beijou. Um beijo ao estilo Zac. Algo entre o desespero e a calmaria, beirando a insanidade. É um beijo intenso, mas sem entregar tudo de primeira. Ele me faz querer me aprofundar mais, descobrir o que há mais por detrás de todo esse mistério. Não sei bem como definir esse beijo. Talvez nem tenha uma definição correta. Mas esse é o melhor que eu consigo fazer. Com certeza não está fiel ao que eu sinto durante o beijo, mas é bem perto. Não adianta. Só provando beijo dele para saber, o que vocês nunca vão fazer. Com licença. Ele é somente meu!
Por fim, resolvi arriscar. Talvez esse relacionamento seja uma boa oportunidade de eu mudar um pouco o meu jeito. Não quero virar nenhum animal, mas me soltar um pouco mais, ser mais extrovertida, de fato namorar. Acho que Zac não merece que eu esconda o que nós temos, por isso, no dia seguinte a festa, no portão de entrada do colégio, eu o beijei. Sim, eu beijei Zac Harris no portão do colégio, na frente de um bando de anim… Gente. Um bando de gente (Eu ainda paro com essa mania!). Pela primeira vez eu fui o centro das atenções e não dei a mínima importância a isso.
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