- Sério, você está passando dos
limites. – informou Lily. E, embora mantesse a voz calma, eu sei que ela está
nervosa.
- Sério – tentei imitar sua voz
-, vocês já estão irritando com essa conversa. Eu já disse que sei o que estou
fazendo.
- Não, Aly. Não sabe. – exaltou a voz pela primeira vez, me fazendo
estremecer. Ela suspirou antes de continuar – Eu sei que o Scott não é o melhor
cara do mundo. Eu mesma não vou com a cara dele. Mas daí ficar com o Kyle só
pra não ficar com o Scott... Você já foi mais esperta, Alysson. – abri a boca
para responder, mas ela continuou – Já disse repito: essa é a coisa mais
estúpida que você já fez na vida. Não vai dar certo. E, eu não acredito que vou
dizer isso, mas eu até concordo com o que a Sarah disse. Se tiver que acontecer
alguma coisa entre vocês, não vai ter Kyle no mundo que impeça. – foi minha vez
de suspirar.
- Eu sei disso. – é difícil admitir,
mas eu sei.
- É, Alysson. Mas não adianta
saber se continua fazendo besteira. – ela sentou-se ao meu lado em sua própria
cama. Estamos sozinhas na cabana dela. A sua dupla, Kyle, estava fora.
Sim, Kyle é a dupla da Lilyan. E
ela não gosta nada disso. Quando estão juntos, ela só falta soca-lo até o mesmo
ficar inconsciente. Segundo ela, Kyle é o ser mais ignorante, detestável e
desprezível que existe.
- Agora não tem mais volta,
Lilyan. O que está feito está feito.
- Sim, você não pode voltar ao
passado e desfazer essa burrada, mas pode consertar. Termina com o Kyle, Aly.
- Eu não posso fazer isso.
- Caramba, Alysson! – tornou a
gritar
- Será que dá pra você parar de
gritar?! – foi minha vez de exaltara voz.
- Desculpa. – abaixou o tom de
voz – Mas é para o seu próprio bem. Você já sofreu uma vez por causa de um
garoto, e agora arranja um pior do que o Peter.
- Não diga o nome desse... desse... - não achei palavra que pudesse o definir.
- Tudo bem. Me desculpe por isso também.
- Tudo bem. - ficamos um tempo sem dizer nada, e eu soube que a conversa não se estenderia mais - Eu tenho que ir agora. - informei.
- Tudo bem.
- Tudo bem. - disse rindo devido a quantidade de "tudo bem" que dissemos em pouco tempo.
- Pensa no que eu te disse, Aly. Pensa no que todo mundo te disse. - assenti - Eu não gosto do Scott...
- Você já disse isso. - lembrei.
- Me deixa terminar. - ela pediu - Mas eu prefiro que você fique com ele do que com o Kyle. Eu até suportaria os amiguinhos dele.
- Nossa. - disse arregalando levemente os olhos - Isso tudo é preocupação comigo? - disse soltando uma risada debochada.
- Eu falo sério, Aly. - disse revirando os olhos, mas com um sorriso no rosto.
- Obrigada. - a abracei e ela sorriu em resposta. Saí da cabana em seguida.
...
Sem paciência. É assim que me sinto. Estão todos me tratando como um criança. Eu sei o que estou fazendo, e sei que esse lance com o Kyle não vai dar certo. Eu não quero que dê. Só o estou... usando? Não sei se essa é a palavras certa. De qualquer forma, isso só vai durar até eu ter a certeza de que não vou cair nos braços do Scott. Pois é, resisti até agora, mas não posso negar que Scott não é de se jogar fora. Muitas me acham de louca por dispensá-lo, mas eu não consigo confiar nele. Não quando ele anda com pessoas como o Peter. Mas, meu Deus, ele é de tirar o fôlego!
No momento, estou no meio da mata. Os professores resolveram fazer o tal do caça a bandeira. Geralmente, eu até gosto de participar de jogos assim. Mas não hoje. Estou bastante indisposta e com uma cólica terrível! Mas quem se importa, não é?! Vamos ir mata a dentro brincar de pegar a bandeira. Enfim, não vou participar de nada mesmo, então vou me isolar em qualquer canto no fundo da mata. Depois dou um jeito de voltar. Depois de andar muito, encontro alguém... um alguém que eu não queria ver.
- Alysson Cooper. – disse Scott abrindo os braços e um largo sorriso no rosto – E você ainda diz que nós dois juntos não é coisa do destino. - Seu eu der um tiro nele, vou presa?
Soltei um longo suspiro e desviei o olhar dele.
- Não enche, Scott. – foi tudo o que eu disse antes de continuar meu caminho, o ignorando o máximo que posso.
Não me afastei muito antes de sentir Scott agarrar meu braço e girar meu corpo, me fazendo desequilibrar por um breve momento.
- Seja lá o que esteja pensando em fazer, não vai funcionar. - garanti. Tudo bem, talvez eu não tenha dito com tanta segurança. Afinal, eu não estou nada segura das minhas palavras. Tenho medo de cair em tentação dessa vez.
- Você é tão segura de si. – ele disse – Impressionante!
Não vou deixá-lo ganhar essa. Resisti outras vezes, vou resistir mais essa. Ele não vai me ganhar assim tão fácil.
- Você está invadindo o meu campo, Alysson Cooper. Não posso te deixar seguir.
Revirei os olhos para tentar ganhar tempo e pensar em alguma coisa sensata para dizer.
- Eu só quero ficar sozinha um pouco, Scott. Dá para ser ou está difícil? - disse o mais rudemente que consegui, o que, pelo visto, não foi o bastante.
- Você pode ficar sozinha comigo. – respondeu ainda segurando meu braço.
- Você não existe. – eu disse rindo.
Rindo? Alysson, pare já com isso!
- Eu sei, eu sei. Sou bom demais para ser verdade.
Revirei os olhos novamente, sem conseguir conter o riso. Senti-o deslizas as mãos pelo meu braço e segurar minha mão. Olhei para nossas mãos dadas, depois para ele. Ah, não. Não faz isso.
- E você – ele começou – não consegue resistir.
Vamos, reaja! Faça alguma coisa. Não o deixe vencer.
Juntei toda a minha força de vontade, e puxei minha mão da dele.
- O seu problema, Scott, é que você é muito seguro de si. Seguro até demais. – Aí sim. Essa é a Alysson que eu conheço. Comecei a andar, mas parei alguns passos depois – E eu tenho namorado. Devia respeitar isso.
Dito isto, Scott começou a gargalhar alto. Eu não deveria ter parado.
- Você pode me xingar, dizer que eu não sirvo pra você, ou qualquer coisa do tipo. Mas dizer que tem namorado não. Isso é uma grande mentira. – não posso negar que ele tem razão.
- Ah, é uma mentira?! Então, se não é o meu namorado, o que o Kyle é? – Não posso dar o braço a torcer, por mais que ele esteja certo.
- Uma desculpa. – ele respondeu. Se eu fiquei confusa? Um pouco. Mas faço uma ideia do que ele está falando – Uma desculpa para você continuar resistindo.
Ele começou a vir na minha direção. Isso não é bom. Eu comecei a regressar na mesma velocidade, até que bati numa árvore. Maldita árvore! Scott praticamente correu até mim, talvez vendo uma oportunidade que não pode ser desperdiçada. Esticou o braço esquerdo me impedindo de sair. Pronto. Caí em uma de suas ciladas.
Silêncio. Silêncio mortal, incomodo e constrangedor. Tentei empurrá-lo com as duas mãos, sem sucesso. Scott as prendeu no alto da minha cabeça.
Aproximou-se de meu ouvido e sussurrou, me causando arrepios:
- A verdade é que você não consegue e não quer resistir. - não gosto nada do efeito que ele tem sobre mim.
Ele afastou-se alguns centímetros e me observou por um estante. Já era. Não tenho mais como me livrar daqui. Ele começou a se reaproximar de mim e eu, instintivamente, fechei os olhos. Não queria, mas queria. Estou em uma luta travada contra mim mesma.
- Eu não disse?! – ouvi sua voz próxima as meus lábios. Scott soltou minhas mãos e, ao abrir os olhos, vi que estava se afastando. Ah, não, Scott Miller. Já começou, agora termine! Num ato meio voluntário, meio involuntário, envolvi sua nuca com minhas mãos e o puxei para um beijo.
Ele demorou para corresponder, o que me deixou meio nervosa, mas logo senti suas mãos envolver minha cintura suavemente. Era um beijo calmo, sem desespero. Puxou mais a minha cintura, fazendo-me ficar na ponta dos pés. Puxei ainda mais a sua nuca, em resposta ao seu toque. Quando ele me pressiona contra a árvore, ouço meu celular tocar. Isso é sério?
Close your eyes
Let me tell you all the reasons why
I think you’re one of a kind
Here’s to you
The one that always pulls us through
You always do what you got to do
You’re one of a kind
Thank God you’re mine...
- Michael Bublé. Sério? – foi a primeira coisa que ele disse. Sua voz soou desdenhosa e sua testa está franzida.
- Disse o cara que curte Ed Sheeran. – rebati, ainda ofegante.
- Ei, Ed Sheeran é um ícone da música romântica! – protestou.
- Não vou discutir gosto musical com você. – murmurei dando o assunto por encerrado.
- Espera. Você está usando celular? – arqueei uma sobrancelha.
- Acho que sim. – respondi.
- Contra as regras. – explicou-se.
- Vai dizer que você não está usando também?
- Claro que estou. Mas você é...
- A filha do diretor. – o interrompi – Devia seguir as regras, ser a certinha e a mais inteligente, um verdadeiro exemplo e blá blá blá... Poupe-me desse discurso, por favor. - realmente, esse tipo de conversa me irrita. Será que é tão difícil assim me tratarem como Alysson e não como a filha do diretor?
- Tudo bem. Foi mal.
O celular voltou a tocar.
- É melhor atender. – não respondi. Apenas me afastei e atendi.
- Temos que ir. O jogo já acabou há algum tempo. Somos os únicos que faltam. – disse simplesmente.
- Tudo bem, então. – Scott me segurou pela cintura e juntou nossos lábios novamente. Não posso negar que gosto disso. Mas, caramba, eu caí em tentação. Uma desculpa. Eu preciso de uma desculpa...
- Ai meu Deus! – gritei nos separando de forma bruta – EU TENHO NAMORADO!
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