Sarah’s POV
Estamos eu, Alysson e Lilyan na
área de esportes assistindo a um jogo de futebol masculino. Sei que não sou boa
nesse, e alguns outros esportes, mas esses meninos jogam realmente mal. O jogo
foi bem parado, para falar a verdade. A cada dois passos que eles davam era uma
falta diferente. O jogo foi basicamente isso: faltas. Além de os jogadores
ficarem muito mal distribuídos no campo. Lilyan não para de gritar o quanto
eles são estúpidos e de opinar sobre a posições e jogadas, mas é claro que eles
não ouvem, e isso está a deixando louca. Alysson está num estado parecido, mas
não grita, aliás, não se manifesta em nenhum sentido. Fica só sentada com os
cotovelos apoiados nos joelhos, as mãos juntas perto da boca, como se fizesse
uma oração silenciosa, e a expressão aflita. Alguma coisa me diz que não é por
causa do jogo, apesar de saber que ela entende tudo sobre o esporte. Lilyan e
Alysson são amantes de esportes. Já eu... Eu sou amante de moda. É, eu ainda
não descobri como a gente se dá tão bem.
- Aly,
está tudo bem? – eu perguntei. A expressão de seu rosto está começando a me
preocupar.
Ela
desvia o olhar do jogo por um instante e fita os próprios pés. Após dar um
longo suspiro, sua atenção voltou-se para mim. Agora eu tenho certeza de que
tem alguma coisa errada. Lily está sentada do meu lado esquerdo, enquanto Aly
está do meu lado direito. Não esperei que ela dissesse nada. Me aproximei mais
dela e a abracei. Ela logo me abraçou de volta. Sei que ela está se segurando para
não chorar. Alysson Cooper se faz de durona, mas é uma manteiga derretida. Sei como ela odeia chorar na frente dos outros.
Depois
de um tempo, ela me soltou gentilmente e encarou as próprias mãos, que agora
descansam em seu colo.
- É o
Kyle. – diz por fim.
- O que
aquele idiota fez? – perguntei já irritada. Eu fui contra esse namoro desde o
início.
- A
gente discutiu de novo, só isso. – disse como se realmente não fosse nada
demais.
- Só
isso? Aly, vocês voltaram não faz nem uma semana e já estão nesse clima?! –
controlei minha voz para não gritar – Eu disse a você que isso não ia dar
certo. – falei baixinho torcendo para que ela não ouvisse e, ao mesmo tempo,
para que ouvisse. Não quero deixa-la triste nem nada assim, mas ela precisa
ouvir a verdade de alguém.
- Eu
sei, Sarah. Só que... Eu não posso terminar com ele agora.
-
Alysson, você é uma garota esperta. Sabe que isso não vai funcionar. Ficar com
o Kyle pra não ficar com o Scott... Isso é ridículo. Você sabe disso, não sabe?
- Eu
sei. Mas eu tenho que arranjar um jeito de mantê-lo longe de mim.
- E de
você ficar longe dele. – ela assentiu tristemente.
Seria mais fácil se ela ficasse com o Scott
de uma vez. Caramba! Por que ela complica tanto?
- Sabe,
Aly, se você quiser ficar com ele e ele quiser ficar com você, quando chegar a
hora, não vai ter Kyle que impeça de acontecer. – ela já não olhava mais para
mim.
Disse o
que eu penso de verdade. Se eles gostam, ou pelo menos desejam um ao outro,
quando chegar o momento, nem ela e muito mesmo ele, vão lembrar que mais alguém
existe nesse mundo.
- Eu
acho que vou dar uma volta por aí. – eu assenti e ela se foi.
- O que
ela tem? – Lily perguntou quando Alysson já estava distante.
- O de
sempre.
- Kyle
e Scott? – assenti em resposta. Ela não disse mais nada, apenas voltou a
prestar atenção no jogo, que já está acabando.
Assim
que o jogo acabou, eu saí imediatamente da arquibancada, indo em direção ao
portão. Não gosto de lugar com muita gente, muito barulho... Mas alguém me
impediu de continuar andando.
-
Ethan?
-
Sarah, pelo amor de Deus. Você precisa me ouvir. - sua voz soa um pouco
desesperada. Me permito sentir um pouco de preocupação, mas não a demonstro,
nem em minha voz, nem em minha expressão.
- O que
foi? – perguntei secamente.
-
Aquilo com a Paris. Aquilo não era o que você estava pensando. – e a aquela
preocupação foi embora.
-
Realmente. Não foi nada que eu pensei, foi o que eu vi. Foi o que todo mundo
aqui viu! – quase gritei. Como ele tem a
cara-de-pau...?
- Não.
Sarah, me ouve. Ela está me obrigando a isso. – sussurrou.
- Deve
ser mesmo um terror ter que ficar se esfregando na Paris por aí. – ironizei.
-
Sarah, você não está entendo. A Paris... – sua frase foi interrompida por uma
voz irritante:
- Oi, gato. – Paris disse já o agarrando para
um beijo.
Nesse
momento, todos os que estavam presentes na campo de futebol e nas arquibancadas
estão olhando para nós.
- Oi,
Paris. – ele diz com um sorriso no rosto, o que me faz erguer uma das
sobrancelhas e cruzar os braços, encarando estupidamente a ceninha do casal.
- Oi...
– Paris disse olhando para mim – coisinha.
– completou assumindo uma expressão de nojo. Eu apenas revirei os olhos. – O
que foi? Não se acostumou ainda, Sarinha?
- Com
isso aí? – apontei para os dois de cima a baixo, com desdém. – Já sim. Já
passei perto de um lixão. Não é muito diferente.
-
Inveja? – ela provocou com um sorriso no rosto, ainda pendurada no pescoço de
Ethan.
- Bom,
depende. Você teria inveja de alguém que come restos? – revidei. Ela se separou
de Ethan. O sorriso já não é tão grande como antes.
- Para
o seu bem, é bom que não esteja insinuando...
- Não.
– a interrompi – Não estou insinuando nada. Estou afirmando.
- Bom,
pelo menos eu não tenho um par de chifres. – ela disse com um sorriso vitorioso
– Nem uma amiga vadia. – Ah, agora ela passou dos limites.
Dei um
tapa bem estalado na cara dela. Paris riu da minha reação.
- Não
aguenta a verdade, não é, Sarinha?! Não consegue aceitar o fato de que Ethan
achou coisa melhor do que uma sem sal como você. – ela cuspiu as palavras no
meu rosto, ainda com aquele sorriso no rosto.
- Falou bem, Paris. Uma coisa.
Porque você não passa de um objeto pra saciar o desejo masculino. – devolvi. Eu
não vou deixar que ela me humilhe. Já fiquei calada uma vez. Agora está na
minha hora de revidar o veneno dessa víbora.
- Olha bem como fala comigo,
garota. – bom saber que acertei bem na ferida.
- Como alguns objetos – continuei
-, você também passa da validade, Paris. E de tão podre que é, nem pra adubo
serve. – as pessoas já formam uma roda a nossa volta.
- Se você disser mais uma
palavra… - ela disse entre os dentes. Mas eu a interrompi.
- Mas parece que o Ethan não se
importa de ficar com restos. – fiz questão de olhar a expressão de Ethan nesse
momento, e não era das melhores - Pelo menos o Scott foi esperto e te dispensou
bem rapinho, não é?! – Sinto ter que envolver o Scott nessa, mas eu preciso
usar as armas que tenho. E ainda não acabou. Se eu quero mesmo deixa-la mal,
tenho que tocar no ponto fraco: - Você é tão desprezível, que nem os seus pais
a querem por perto.
Eu sei,
eu sei. Assunto delicado e íntimo demais, mas no momento eu não me importo com
nada disso. Eu só quero sair por cima dessa vez. Quero vencer a discussão.
- Você… Você não tem o direito de
falar dos meus pais. – ela está a ponto de chorar. Bingo! Bem no alvo! Agora,
para fechar com chave de ouro:
- Não aguenta a verdade, não é, Paris?! – pronunciei seu nome como se
tivesse nojo do mesmo - Não consegue aceitar o fato de que nem seus pais
conseguem conviver com você por muito tempo.
Ela
começou a ficar vermelha. Eu não se é de tentar segurar o choro ou se é de
raiva. Talvez seja os dois. Mas, adivinha. Eu não me importo. Pra mim, a única
coisa que me importa agora, é que eu venci.
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