Kyle's POV
Paige despediu-se de Alysson e levantou-se do banco.
- Conseguiu? - perguntei assim que ela se aproximou.
- O que você acha? - respondeu rolando os olhos. Abri um sorriso.
- Certo. Então, agora só falta desbloquear.
- Eu já providenciei isso. Conheço um cara. Antes do entardecer está pronto.
- Ótimo!
- Te vejo daqui a pouco. - Piscou o olho e saiu rebolando.
Como já é o fim das aulas e eu não pretendo assistir às últimas aulas, pulei o muro da escola e fui encontrar Peter no lugar combinado.
- Peter - cumprimentei-o.
- Alguma novidade?
- Paige conseguiu pegar o celular. Antes do entardecer está desbloqueado. - Ele assentiu.
- Você já sabe o que tem que fazer, certo?
- Sei. - Sorri. - Ir até a casa da Alysson, pedir para conversar com ela. A conhecendo como conheço, sei que ela não vai querer.
- Mas você vai insistir.
- O pai dela está em casa, então, ela vai me chamar para o quarto dela. Assim que entrar, te mando a mensagem avisando.
- E aí - começou -, eu mando a mensagem para o Scott. E quando ele ver a Alysson com você no quarto dela, ele vai pirar.
- O que vai ser uma idiotice, já que não estaremos fazendo nada além de conversar.
- Scott foi “fisgado”. Você olhar para Alysson já é o suficiente para ele querer sua cabeça numa bandeja - explicou. - Depois dessa cena, ele, com certeza, ficará vulnerável, e não vai pensar duas vezes antes de fazer o que eu pedi.
Meu celular vibrou nesse momento. Era Paige.
“Está pronto”
- O celular está desbloqueado.
…
Convencê-la a falar comigo foi mais fácil do que eu imaginei. Não precisei insistir tanto, nem usar todas as desculpas que eu havia inventado. Parece que, depois que Scott quebrou o muro que ela construiu em volta de si, Alysson esqueceu de se proteger do resto do mundo. Ficou vulnerável. Do jeitinho que eu preciso que ela fique. Nem quando namorávamos ela me dava essa liberdade. Ir até seu quarto era uma ideia distante, quase impossível. E agora eu estou aqui, no quarto dela, sozinho com ela, com a porta fechada.
Diretor Cooper não me tratou com o desprezo costumeiro. Parece que o Scott mudou bastante coisa por aqui. Nem protestar contra o fato de eu estar trancado num quarto com a Alysson ele protestou. Ficou apenas sentado no sofá da sala, assistindo televisão, como se nunca tivesse levantado para atender a porta quando eu toquei a campainha.
Já estou aqui há uns 30 min. Eu nunca pensei que conseguiria manter essa conversa por tanto tempo. E está sendo realmente interessante. Talvez, depois de tudo, ela possa voltar para mim.
Scott está atrasado. 20 min. Esse era o combinado. Por mais que a conversa esteja sendo agradável e talvez até produtiva, eu não sei se quero levar essa conversa adiante. Não é assim que eu vou ter a Alysson de volta. O Scott precisa aparecer aqui, precisa nos ver sozinhos nesse quarto, ficar com raiva, se aproveitar da Alysson, terminar com ela. Precisa fazê-la correr de voltar pra mim.
- O que foi isso? - Alysson perguntou.
- O quê?
Nesse momento ouvi um grito. Alysson levantou da cama e foi até a porta.
- Scott? O que está acontecendo? - ouvi Alysson perguntar.
Então ele veio… Mas era para ele entrar pela janela do quarto da Aysson.
- Seu namorado pulou a janela e entrou no meu quarto. É com esse tipo de gente que você anda? - Essa é a voz do diretor. Sério? Scott é tão idiota a ponto de errar a janela?
- Por que fez isso? - Alysson voltou a perguntar.
- Porque você… - Pela primeira vez a voz de Scott foi ouvida, e eu fiz questão de interromper, indo para o corredor, ao lado da Alysson.
- Está tudo bem, Aly? - perguntei, colocando uma das mãos na cintura de Alysson. Scott ficou vermelho. Quase não pude conter o riso. Alysson não teve nenhuma reação, como se a situação fosse completamente normal. Talvez esteja distraída demais com o fato de o diretor estar segurando a orelha de Scott, como se ele fosse um pirralho bagunceiro.
- Kyle? - ele perguntou. - Isso é sério Alysson? Você me chama aqui e está com o Kyle no seu quarto?
- O que? Eu não te chamei. E o Kyle, ele… - ela começou a responder.
- Alysson foi você quem chamou esse delinquente? - o diretor interrompeu. - Pediu que ele entrasse pela janela? Eu esperava mais de você!
- Pai, eu não chamei ninguém!
- Não chamou? Você me enviou uma mensagem há poucos minutos, pedindo que eu viesse! - Scott gritou.
- Eu não enviei mensagem nenhuma! - Alysson gritou de volta.
- Baixem o tom, vocês dois! Só eu posso gritar aqui! - esbravejou o diretor.
- Aly, eu acho que já vou. - resolvi dizer. Tenho que passar imagem de inocente, certo?. - Nos falamos mais tarde?
- Claro. Eu te acompanho até a porta.
Num momento eu estava começando a andar e no outro, estava cambaleando para trás, com o meu nariz doendo. Pisquei algumas vezes e estabilizei minha visão. Alysson estava entre mim e Scott.
- Qual é o seu problema, Scott? - ela gritou. Ponto pra mim.
- Qual é o meu problema? Você está com o seu ex-namorado no seu quarto, e pergunta qual é o meu problema? E ainda se acha no direito de me criticar quando eu beijo outra. - Mais um ponto pra mim.
- Vai embora! - Alysson berrou. - Saí daqui agora! - Acho que essa vale uns 10 pontos pra mim.
- Alysson... - ele tentou dizer.
- Eu te acompanho até a porta - o diretor disse, puxando-o pela gola da minha camisa. Segundos depois ouvi um estrondo, que deve ser a porta sendo fechada.
- Alysson, me desculpa por isso. Eu não queria causar problemas - eu disse.
- Não, Kyle. A culpa não é sua. - Suspirou. - Scott que é um pouco… esquentado. - Assenti.
- Mesmo assim, eu acho que vou mesmo embora. Você e seu pai precisam conversar, suponho.
- Mas o seu nariz…
- Eu cuido em casa. Não se preocupe.
- Tudo bem. Terminamos a conversa outro dia então. - Sorriu.
Ela me acompanhou até a porta e eu fui direto para casa. Só vou falar com Peter amanhã, e não sei se ele vai ficar feliz com o resultado. Quer dizer, Scott está realmente do jeito que ele falou: querendo minha cabeça numa bandeja. Mas ele também brigou com o diretor. Isso não é bom. Não estava nos planos o Scott errar a janela e o diretor o encontrar aqui. Não estava nos planos nem ter briga, discussão, ou qualquer coisa do tipo. Não hoje, pelo menos. De qualquer forma, agora eu estou um passo a frente.
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