terça-feira, 1 de abril de 2014

POV Cap. 30

POV's Gustavo
Quando Chris chegou da rua, ele estava cheio de sacolas.
- Comprei algumas coisinhas. - Ele disse. Acontece que o cara já fez curso de culinária. Chris invadiu nossa cozinha e fez um treco que eu não entendi o nome, só sei que tinha chocolate e é muito bom! Depois de pronto, colocamos um filme de comédia e assistimos enquanto comíamos. E depois colocamos um de ação. Algumas meninas (lê-se "Mary") reclamaram do filme, mas eu não me importo. Assim que o filme acabou, eu fui fazer mais pipoca, enquanto as meninas escolhiam o próximo filmes, que, provavelmente, seria um romance. A pipoca não demorou a ficar pronta. Peguei o refrigerante, sorvete e o resto do chocolate e voltei para sala. Me sentei no meu lugar no chão, ao lado de Mary.
O filme correu normalmente, até que a campainha toca.
- Eu atendo. - Digo me levantando. Abro a porta, mas quando vejo quem é, fecho-a imediatamente., mas ele me impede pondo o pé na frente. - O que você quer aqui?
- Meu papo não é com você, moleque. - Disse me empurrando para o lado e entrando em casa.
- Andrew?  Disse minha mãe, surpresa.
- Que é ele? - Perguntou Chris.
- Meu ex-marido. - Respondeu, sem desgrudar os olhos do homem.
- Então, já que vocês não quiseram me encontrar, eu vim até vocês. - Ele disse sorrindo.
- Meninas, subam, por favor. - Pediu minha mãe e elas subiram.
- Creio que você queira pedir o divórcio, já que me chama de ex e tem outro do seu lado.
- Você devia ter certeza disse desdo o momento em que passou por aquela porta! - Ela disse com um tom de voz calma, porém firme e um olhar superior. Eu e Chris apenas observávamos. - O que você quer aqui, Andrew?
- Quero resolver as coisas não resolvidas. Quero o seu perdão e o perdão dos meus filhos. - Disse a última parte envolvendo meus ombros com seus braços. Tentei me livrar, mas ele me apertou até me machucar.
- Sinto muito, mas a última coisa que vai ter aqui é perdão!
- Ah, Marlenne, - Disse me soltando. - depois de todos esses anos, ainda não aprendeu que eu sempre consigo o que eu quero?
- talvez isso fosse verdade antes, e seja verdade em outros lugares, mas não aqui. - Minha mãe disse. - As coisas mudaram, Andrew. Você não tem mais autoridade aqui dentro. - Ela mantinha o tom de voz baixo e firme.
- Quando foi que você virou gente? - Andrew perguntou.
Chris abriu a boca para dizer, mas eu fui mais rápido. O puxei pelo braço, fazendo-o olhar para mim e soquei seu rosto. Ele cambaleou, mas permaneceu em pé. Não tempo nem de respirar. Quando dei por mim, estava caído no chão e Andrew me batia com o cinto que antes estava em sua calça. Meu maxilar doía. Ele deve ter me socado, mas eu não lembro. Não consigo pensar em nada que não seja a dor que sinto. Todo o meu corpo está latejando de dor. Começou tudo de novo.
*Flashback on*
Eu estava assistindo Naruto na TV da sala, quando a porta de abriu e meu pai entrou. Finalmente! Ele havia saído na noite anterior. Eu passei a noite em claro o esperando, mas ele só voltou agora. Corro para lhe dar um abraço, mas minha mãe me impede. A princípio, e não entendo o porquê, mas então eu sinto o cheiro. O mesmo cheiro das outras vezes. Mamãe disse para eu nuca ficar perto dele quando ele estivesse assim. Uma vez eu a desobedeci, e entendi o porquê. Eu me afastava lentamente. Minha mãe estava parada entre nós dois. Ele começou a falar várias coisas estranhas que eu não consegui entender, mas ele parecia nervoso. Mamãe tentava acalmá-lo e ele lhe deu um tapa no rosto, o qual a fez cair no chão. E o olhava assustado. Ele veio andando em minha direção. Eu tentei correr, mas ele foi mais rápido. Agarrou meu braço, me jogou no chão, tirou o cinto e começou a me bater. Quando minha mãe tentou o impedir de continuar, ele lhe feriu o rosto novamente, dessa vez com um soco. Eu tentei gritar, mas tudo o que saiu foram gemidos. Ele se voltou para mim e me bateu mais violentamente. Senti uma dor forte na cabeça, e tudo ficou escuro.
*Flashback off*
Ouvi gritos e barulhos de coisas quebrando, mas não abri os olhos para ver o que estava acontecendo. Eu estava  encolhido no chão, cobrindo minha cabeça com os braços.  Senti alguém abaixar-se ao meu lado. Por um momento, temi ser Andrew, mas então, eu ouvi a voz dela. Minha mãe. Uma voz doce e calma, apesar de trêmula. Ela acariciava meus cabelos, mas não me atrevi a abrir os olhos.

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